Documento sobre OVNIs é liberado nos EUA, mas trechos cruciais seguem censurados por segurança nacional
Arquivo obtido via Lei de Acesso à Informação revela investigação interna do Pentágono sobre fenômenos anômalos não identificados, mas mantém em sigilo detalhes considerados sensíveis. Um novo documento relacionado aos
Arquivo obtido via Lei de Acesso à Informação revela investigação interna do Pentágono sobre fenômenos anômalos não identificados, mas mantém em sigilo detalhes considerados sensíveis.
Um novo documento relacionado aos UAPs (Fenômenos Anômalos Não Identificados) foi divulgado pelo governo dos Estados Unidos, reacendendo o debate sobre o nível real de transparência adotado pelas autoridades americanas em relação ao tema.
O arquivo foi obtido pelo pesquisador John Greenewald, responsável pelo projeto The Black Vault, por meio da Lei de Acesso à Informação dos Estados Unidos (FOIA). O conteúdo revela a existência de uma avaliação conduzida pelo Escritório do Inspetor-Geral sobre a forma como o Departamento de Defesa e diversas agências de inteligência tratavam relatos e investigações envolvendo UAPs.
No entanto, justamente os trechos considerados mais relevantes permanecem ocultos ao público.
Pentágono avaliou como casos de UAPs eram tratados internamente
De acordo com as partes liberadas, a proposta da investigação tinha como objetivo analisar os procedimentos adotados pelas Forças Armadas e pelos órgãos de inteligência para detectar, registrar, coletar, analisar e processar informações relacionadas aos UAPs.
Na prática, a avaliação buscava entender como os relatos eram recebidos, quais métodos eram utilizados para examiná-los e como as informações circulavam dentro da estrutura de defesa dos Estados Unidos.
Porém, os detalhes que poderiam esclarecer os objetivos centrais da análise foram removidos do documento.
Governo censurou critérios, metodologia e conclusões
Entre os trechos censurados estão informações que explicariam os motivos da avaliação, os benefícios esperados com a investigação e os critérios utilizados pelos auditores.
Partes importantes da metodologia também foram ocultadas, impedindo que o público saiba exatamente quais perguntas o Inspetor-Geral pretendia responder e quais parâmetros foram adotados durante a apuração.
Segundo a justificativa oficial, a remoção dessas informações ocorreu por razões ligadas à segurança nacional.
As autoridades afirmam que os trechos classificados contêm referências a planos militares, sistemas de armas, operações estratégicas, vulnerabilidades e capacidades defensivas dos Estados Unidos.
Transparência sobre UAPs continua limitada
A divulgação do documento chama atenção porque ocorre em um momento em que o governo americano afirma estar ampliando a transparência sobre os UAPs.
Nos últimos anos, vídeos militares, relatórios e audiências públicas foram divulgados, aumentando o acesso da população a informações anteriormente mantidas em sigilo.
Por outro lado, o novo documento mostra que aspectos fundamentais sobre o funcionamento interno das investigações continuam protegidos.
Em outras palavras, embora parte dos registros seja divulgada, os procedimentos usados para interpretar, classificar e avaliar os fenômenos permanecem fora do alcance do público.
Documento cita Lue Elizondo e resistência a pesquisas
Um dos trechos não censurados menciona Luis “Lue” Elizondo, ex-funcionário do Pentágono que se tornou uma das figuras mais conhecidas no debate sobre UAPs.
O documento faz referência à sua saída do Departamento de Defesa em 2017 e reproduz uma declaração atribuída à sua carta de renúncia.
Segundo o texto, Elizondo manifestou preocupação com a resistência interna a pesquisas relacionadas a fenômenos que poderiam representar riscos para pilotos militares, marinheiros, soldados e até para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Diversas agências participaram da avaliação
As informações liberadas indicam que a análise envolveu algumas das principais estruturas militares e de inteligência do país.
Entre os órgãos citados estão:
- Gabinete do Secretário de Defesa;
- Comando de Operações Especiais dos EUA (SOCOM);
- Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM);
- Agência de Inteligência de Defesa (DIA);
- Agência de Segurança Nacional (NSA);
- Agência Nacional de Inteligência Geoespacial (NGA);
- Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO);
- Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA);
- Divisões investigativas ligadas às Forças Armadas.
Apesar da participação de tantas instituições, os principais questionamentos analisados pela investigação foram totalmente ocultados.
Mais de 200 páginas ainda podem ser divulgadas
Outro detalhe revelado pelo The Black Vault é que o processo ainda não foi encerrado.
Segundo o projeto, aproximadamente 245 páginas adicionais continuam em fase de revisão e podem ser liberadas futuramente, dependendo das decisões das autoridades responsáveis.
Para pesquisadores e interessados no tema, a expectativa é que futuras divulgações ajudem a esclarecer como o governo dos Estados Unidos realmente trata os relatos envolvendo UAPs nos bastidores.
Até lá, permanece a principal dúvida: se a transparência sobre os fenômenos está aumentando, por que tantas informações continuam classificadas décadas depois?
